quinta-feira, 27 de novembro de 2008

GÓTICO

IDADE MÉDIA
ARTE GÓTICA

No século XII, entre os anos 1150 e 1500, tem início uma economia fundamentada no comércio. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana.

O Gótico é o período da arte que determina a transição da Idade Média ao Renascimento, e constitui a primeira época da História da Arte da qual ainda existem obras nos mais variados gêneros artísticos – Escultura, Pintura, Gravuras, Arquitetura, Ourivesaria, Manuscritos, Vitrais,... – A partir destes aspectos englobaremos os mais variados aspectos que caracterizam esta tendência artística.

A França não foi apenas o lugar de origem das grandes ordens religiosas dos séculos XI e XII – Clunaicos, Cartuxos, Cistercienses e Premonstratenses – mas também o berço do estilo gótico e sede de grandes centros de erudição ligados a igrejas e catedrais. Foi na França que surgiu a primeira Universidade, a qual, fundada em Paris.Foi também na França que houve a concepção e desenvolvimento do sistema científico-filosófico da escolástica, o qual combinava o estudo dos filósofos clássicos, incluindo pela primeira vez Aristóteles, com um novo racionalismo e uma visão desapaixonada.
O Gótico surgiu por volta de 1140 na província que já então se chamava “Francien”, na pequena região entre Compiègne e Bourges, que tinha como seu centro Paris. Com o desenvolvimento da sociedade da corte e do advento da cultura cívica, o estilo gótico floresceu.A arte estava agora impregnada de sofisticação e elegância com uma maior ênfase na sensibilidade e buscando inspiração à própria vida. Em meados do século XII, o prestígio dos grandes mosteiros era incontestável. Os religiosos e intelectuais mais influentes eram monges, como o abade da ordem beneditina Suger e o monge organizador da ordem Cisterciense, São Bernardo e Clairvaux.

Os empreendimentos artísticos eram totalmente dominados e controlados pelos principais hierarcas monásticos, e era nos mosteiros que se encontravam as melhores oportunidades de trabalho. Por volta de 1300, tudo isso mudou.Já no final do século XII, as ordens monásticas tradicionais pareciam ter se tornado irrelevantes para a população dos centros urbanos, que estavam em constante expansão, surgiram então várias outras seitas mais acessíveis, algumas delas heréticas.

As cidades cresceram, as comunidades e a educação se desenvolveram, surgiram novas tecnologias como o aperfeiçoamento do arado e a introdução ao moinho de vento, que revolucionou a agricultura, trazendo consigo a prosperidade que consecutivamente, traria recursos de desenvolvimento para o ramo da construção. O arquiteto do período possuía características mais fortes de técnico e de engenheiro e a experimentação de natureza técnica foi uma das características dessa época, incluindo os primeiros desenhos à escala.A coroação da Arquitetura gótica foi os vitrais que transformavam as janelas das igrejas em visões resplandecentes de um mundo melhor.

As igrejas ficaram abarrotadas de imagens de santos, profetas e mártires. Os arquitetos aspiravam a criar edifícios cujos espaços elevadíssimos enfatizassem o mistério e a imensidão de Deus. Inspiravam-se sobretudo no simbolismo da luz, o elemento que acreditavam se assemelhar mais ao poder de Deus e seu esplendor multicolorido. A catedral dominou a cidade do século XIII e suas dimensões atraíam visitantes como um imã, ficando quase sempre situada nos centros das cidades, geralmente nas proximidades dos mercados.O homem estava libertando-se do temor gerado pela ignorância, e a Igreja precisava atrair um novo tipo de público. A Igreja gótica fornecia ao público, logo em sua primeira experiência visual, imagens intelectualmente coerentes.
Os 150 anos anteriores haviam presenciado não só acontecimentos de importância decisiva na história da civilização européia, como também testemunhado uma mudança fundamental na percepção de Deus pelo homem, propagada por pensadores como Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino e divulgada pelas novas Universidades. A pintura teve um começo modesto, até o século XIII as principais tarefas exigidas aos pintores não eram nem tão inovadoras nem tão extraordinárias, tudo era determinado pela arquitetura, que pairava acima de todas as outras artes, e pela escultura, que adquira uma nova projeção nos edifícios sacros. A própria ourivesaria tornara-se mais importante.A partir do final dos séculos XIII, a passagem de artesão a artista foi também concretizada. Os motivos deixaram de ser simplesmente copiados de outras fontes, sendo estudados diretamente a partir da natureza.
Os artistas começaram a ter orgulho das suas capacidades inventivas, usando de suas inovações técnicas. Começava assim o despontar das experimentações. Foi por volta de 1430, que a pintura constituiu o gênero dominante na Europa. O apogeu da pintura foi com as técnicas de frescos, que eram elaboradas e ininterruptas, e possuía uma paleta de cores luminosas, onde o traço era a característica inconfundível. As pretensões mais nobres a partir dos finais do século XIV foi a da adoção de uma nova filosofia e uma nova abordagem de sua profissão.

Arquitetura - A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica é a fachada. com três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais. A construção expressa a grandiosidade divina e a crença na existência de um Deus que vive num plano superior onde tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas. A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV. Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja. As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

Esculturas - As esculturas estão ligadas à arquitetura e se alongam para o alto, demonstrando verticalidade, alongamento exagerado das formas, e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada, exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja. No exterior das construções sempre a presença de imagens mundanas, gárgulas, demônios e quimeras, lembrando ao observador do sofrimento do purgatório e do juízo final.

Iluminuras - ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos de patrimônio quase exclusivo dos mosteiros. Os ricos manuscritos ilustrados possuíam nos cabeçalhos e nos títulos, letras maiúsculas que iniciavam um texto. Utilizava-se folhas de ouro para ilustrar as páginas e cores puras, dando um senso de sofisticação e poder.

Pintura - desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano celeste. Muito uso de dourados e representação de posses e riquezas.

Giotto - a característica principal do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento. Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

Jan Van Eyck - procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens. Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

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