quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PRODUÇÃO CULTURAL

PRODUÇÃO CULTURAL

Cultura popular

Um dos traços mais marcantes sobre a cultura popular é o que se refere às classes socialmente excluídas, ou seja, às classes dominadas em que o conhecimento passa por herança dos antepassados de forma vulgar e espontânea, bastante natural e comum, não tendo conexão alguma com o conhecimento científico. Não existe a preocupação de ter a sua arte vista ou, até mesmo, vendê-la. Muitas vezes faz para manter a tradição.

“A obra de arte popular constitui um tipo de linguagem por meio da qual o homem do povo expressa sua luta pela sobrevivência. Cada objeto é um momento de vida. Ele manifesta o testemunho de algum acontecimento, a denúncia de alguma injustiça”(1).

Desta forma, podemos concluir que, na arte popular, o objeto criado não seria o fator de maior importância e sim o artista criador daquela peça, o artesão. Neste aspecto a arte popular sempre é contemporânea a seu tempo. Um exemplo seriam as cantigas em poemas do século XVIII e, hoje, o Hip Hop (2), como forma de reação aos conflitos sociais e à violência sofrida pelas classes menos favorecidas da sociedade urbana. Podemos, então classificar a cultura popular como inovadora e conservadora ao mesmo tempo, por incorporar elementos da nova realidade cotidiana aos tradicionais como forma de preservar a herança popular .

O artista popular, normalmente, tende a absorver os acontecimentos locais, rotineiros e regionais. Por isso às vezes se encontra afetado pela cultura de massa. O produtor da cultura popular e o da erudita podem ter a mesma sofisticação, mas, na sociedade, não possuem o mesmo status social - a cultura erudita é a que é legitimada e transmitida pelas escolas e outras instituições.

É importante ressaltar que os produtores da cultura popular não têm consciência do que fazem. Já os produtores de cultura erudita, não só, têm esta consciência, como, o que fazem tem essa denominação e é assunto de polêmicas discussões.

Cultura de massa

A cultura de massa é transmitida por um método industrializado para um público diversificado, não sendo vinculada a nenhum grupo social específico, contudo interfere na existência de uma cultura erudita e na cultura popular. A cultura de massa quebra as fronteiras tênues destas barreiras urbanas e mistura estas duas numa ideologia, vende desejos e idéias que chegam às massas pelos meios de comunicação. A cultura de massa já é pronta e fornecida pela classe dominante.
A arte de massa é uma arte feita para o consumo tanto do povo como da elite, sendo uma arte, do ponto de vista cultural, exclusivamente, consumista destinada a um público homogêneo.

O desenvolvimento da tecnologia permitiu a reprodução de obras de arte em grande escala em pratos, copos, xícaras, bandejas, banners etc. Como por exemplo, um Picasso(3) no seu prato ou um Da Vinci(4) em sua caneca. Chega a ser cômico, revoltante e, ao mesmo tempo justo por ser acessível a todos como as latas de sopa Campbell com rótulos de Andy Wahrol(5), A imagem destacada e reproduzida mecanicamente, com o auxílio do
silk-screen(6), afasta qualquer vestígio do gesto do artista, e uma massa de população passa a ter acesso a essas pinturas, não, necessariamente, entendendo-as como alguém de seu contexto histórico e que fazia parte do mesmo setor social que esse pintor, ou então alguém que faz parte da classe dominante atualmente e que tem conhecimento a respeito do pintor e de seu contexto.

O Brasil é um país audiovisual e extremamente barroco, em sua herança cultural (no Período Colonial, o primeiro contato foi com o Estilo Barroco, que vai de
1580 a 1756. Nesta época, era a moda predominante na corte européia, contudo, somente uma pequena elite no Brasil teve acesso às novas tendências e vanguardas que surgiram na Europa. Daí a miscigenação do Barroco às tradições culturais indígenas e africanas, como o Maracatu, Carnaval, Folia de Reis e outras com seus dourados, brilhos e cores intensas). A maior parte da população tem, sequer, acesso à educação básica de qualidade, outra pequena parcela da população possui acesso a jornais e livros. Desta forma, podemos presumir que a quantidade de pessoas que têm ensino superior e que costumam visitar museus é bem restrita.

Conforme o filósofo alemão Walter Benjamin, uma obra de arte, ao ser reproduzida, perde sua “aura”, que seria seu caráter único e mágico (típico da cultura erudita), mas, em compensação, isso possibilitou que elas saíssem dos museus e das coleções particulares para serem conhecidas por um número muito maior de pessoas. Assim, as técnicas de reprodução das artes poderiam contribuir para uma revolução na própria política das artes plásticas que, antes, eram exclusivas da elite e parte da cultura erudita e passam a ser acessíveis às massas.

Cultura erudita

Cultura erudita e a alta cultura ou cultura cultivada, própria de grupos sociais dominantes. No decorrer da história da arte vemos que artistas tinham seu trabalho vinculado à Igreja ou a Mecenas que os “apadrinhavam”, sendo os principais compradores das obras produzidas, uma minoria seleta de artistas. Após a segunda guerra mundial houve mudanças neste panorama cultural.

“Cada grupo social, nascendo no terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria para si, ao mesmo tempo, de um modo orgânico, uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade da própria função, não apenas no campo econômico, mas também no social e no político: o empresário capitalista cria consigo e técnico da indústria, o cientista da economia política, o organizador de uma nova cultura, de um novo direito, etc. Deve-se notar o fato de que o empresário representa uma elaboração social superior, já caracterizada por certa capacidade dirigente à técnica...” (7)

A cultura erudita pertence aos intelectuais, acadêmicos e é alicerçada em normas científicas, podendo ser definida e caracterizada pelo fator dos meios de produção capitalista a partir do momento em que estes são os proprietários dos meios de produção, a burguesia, que determina os novos rumos culturais, políticos e social que detém o poder de controle de decisões fazendo com que a arte fique sujeita a esta infra-estrutura econômica. Antes da criação da imprensa por Gutemberg, a herança cultural de um povo era transmitida e difundida através de pequenos grupos sem intercâmbio um com o outro. A cultura erudita, então, era detida pela aristocracia e, a poucos, era permitido o acesso. Já no caso da cultura popular ou folclórica, acontecia o inverso.

“Sociologicamente, a cultura clássica e a cultura popular situam-se em pólos extremos. A primeira é uma cultura própria das elites, dos grupos privilegiados que detêm o poder uma sociedade, ou melhor, as classes dominantes. A segunda é uma cultura peculiar à grande massa populacional que constitui o pólo dos dominadores na estrutura da organização social” (8)

” ... o campo do folclore se estende a todas as manifestações da vida popular como o traje, a comida, a habitação, as artes domésticas, as crendices, os jogos, as danças, as representações, a poesia anônima, o linguajar, revela a Existência de todo um sistema de sentir, pensar e agir, que difere essencialmente do sistema erudito, oficial, predominante nas sociedades de tipo ocidental”. E tal sistema reflete as diferenças de classes sociais (de educação, e de cultura) que divide os homens.(9)

“O folclore pertence a superestrutura da sociedade.” (10)


A inovação da Imprensa fez com que os capitalistas, que tiveram uma visão da nova tendência do mercado de consumo, ampliassem seus métodos acumulativos e reestruturassem os seus meios de produção, agregando também, valores culturais, com o objetivo de formarem um consumidor geral sem distinção de classes.

Até este momento, havia, entre o popular e o erudito, uma conexão distante, em que um exercia uma pequena influência sobre o outro e o simbolismo dos letrados era incorporado ao simbolismo do povo pelas influências de domínio, mando imposição, doutrinação. Críticos de arte, historiadores e curadores especializaram-se na seleção das novas tendências, influenciando a ascendência de artistas e na compra das obras pela classe dominante.

Então podemos dizer que a arte erudita e de vanguarda é produzida para o consumo de uma minoria, aristocracia, e para o debate intelectual, críticos, e para museus como fator histórico, estando sempre subordinada ao capital e exigindo estudo, pesquisa e investimento.

Um exemplo, na literatura brasileira, da fusão evolutiva da arte popular para a forma de arte erudita, seria a literatura de cordel utilizada como alicerce dos romances de Jorge Amado, em que ele utiliza a forma escrita do folclore nordestino e a transforma através de uma técnica simples e sofisticada em literatura clássica.

1. (AGUILAR, Nelson (org). Mostra do Redescobrimento: arte popular. In: BEUQUE, Jacques Van de. Arte Popular Brasileira, p. 71);
2. O hip hop como movimento cultural é composto por quatro manifestações artísticas principais: o canto do
rap (sigla para rythm-and-poetry), a instrumentação dos DJs, a dança do break dance e a pintura do grafite.
3. Pablo Ruiz Picasso (
Málaga, 25 de Outubro, 1881Mougins, 8 de Abril, 1973) foi reconhecidamente um dos mestres da Arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares de trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas e cerâmica;
4. Leonardo di ser Piero da Vinci (
Anchiano, 15 de Abril (Calendário Juliano) ou 25 de Abril (Calendário Gregoriano) de 1452Cloux, Amboise, 2 de Maio de 1519) foi um pintor, escultor, arquiteto, físico, engenheiro, botânico e músico do Renascimento italiano;
5. Andrew Warhola ou Andy Warhol (
Pittsburgh, 6 de Agosto de 1928Nova Iorque, 22 de Fevereiro de 1987) foi um pintor e cineasta norte-americano, bem como uma figura maior do movimento de Pop Art; e
6. Silk-screen ou Serigrafia é um processo de
impressão no qual a tinta é vazada – pela pressão de um rodo ou puxador – através de uma tela preparada.
7. Antônio Gramsci (“Os Intelectuais e formação da Cultura”, Editora Civilização Brasileira, 1968).
8. José Marques de Melo - Comunicação, Cultura de Massas, Cultura Popular - Revista VOZES;
9. Édison Carneiro - Sabedoria Popular do Brasil;
10. Édison Carneiro — A Dinâmica do Folclore.

RETRATO BRASILEIRO

RETRATO BRASILEIRO

A arte do cotidiano nacional


A criação cultural brasileira manifesta-se em cada canto do país e, sobretudo, na região nordeste. A riqueza folclórica de cada região é, às vezes, até desconhecida pelos próprios brasileiros. Com forte resistência ao tempo e a culturas colonizadoras, ainda pode-se detectar traços fortes da cultura indígena presentes no artesanato, na dança, na música e demais expressões culturais. Mesmo tendo suas bases enfraquecidas e fragmentadas resistiu às inúmeras tentativas etnocidas colonizadoras e ressurgiu mais refinada devido aos processos de desenvolvimento cultural. Esta sobrevivência étnica é que distingue este fenômeno que trata do artesanato brasileiro.

“A negação etnocida do Outro conduz a uma identificação a si. Poder-se-ia opor o genocídio e o etnocídio como duas formas perversas do pessimismo e do otimismo.
...A espiritualidade do etnocídio é a ética do humanismo.
...Chama-se etnocentrismo essa vocação em medir as diferenças em relação a sua própria cultura.”(1)


Como diz a letra da música de Aldir Blanc, na voz de Elis Regina:

“... o Brazil tá matando o Brasil...”

Muita coisa mudou, principalmente após o advento da globalização. As fronteiras se encurtaram e a inclusão digital permite, ainda, mais esta miscigenação instantânea de fatos idéias e trocas culturais. Mergulhar nas nossas origens e conhecer um pouco mais sobre a história do povo brasileiro e a cultura popular permitem vislumbrar tesouros rústicos escondidos em baixo de nossos pés. De norte a sul, de leste a oeste, nosso Brasil é motivo de orgulho por sua diversidade e riqueza cultural.

Cerâmica

Os ingredientes de uma cerâmica são sempre os mesmos. Queimados em altas ou baixas temperaturas estão sempre presentes em nosso cotidiano. Contudo não basta, somente, a hábil mão do artesão para moldar cada peça, mas, também, um controle sutil do fogo.

A variedade de temas nos potes e nas grandes esculturas de barro, em meio a histórias fantásticas e fantasiosas, mistura personagens mitológicos e bíblicos ou, muitas vezes, a busca da inspiração na própria natureza e no povo. As obras combinam a perfeição com o estilo de vida que o artesão optou por levar.
A cidade de Tracunhaém começou a sofrer modificações sócio-culturais logo após os anos 60. Os carnavais intermináveis e as olarias fizeram surgir um grupo de artesãos com uma habilidade enorme de trabalhar o barro. Sem técnicas apuradas ou recursos financeiros, surgiram potes, tigelas, animais e santos. Aos poucos, estes pioneiros da cerâmica de Tracunhaém desvendaram os segredos do uso da argila e da temperatura ideal do fogo. O acabamento feito com uma mistura de piche e querosene, coberta com talco e lustrada com flanela, confere às peças um leve aspecto de envelhecimento.

Os mestres, em Tracunhaém, tiraram de sua imaginação as mais belas figuras moldadas em barro. Mesmo com personalidades distintas, cada um destes ceramicistas é descendente direto de dois precursores da arte local: Severino de Tracunhaém (falecido em 1965) e Lídia Vieira(falecida em 1974). Foram eles que modelaram as primeiras peças de cerâmica de maior importância para o reconhecimento deste local como um dos ícones da arte popular no Brasil.

Muitos dos artistas também procuram utilizar da própria natureza do barro ou de uma perda da produção artesanal, atingir um resultado ainda mais surpreendente. Com cacos de uma cerâmica trincada no forno, pôde surgir um mosaico com acabamento em tinta acrílica e de repente, surgiu, através deste desafio, uma nova técnica com resultados surpreendentes e inovadores, com grafismos primitivos em painéis que remetem o observador à lembrança da argila quebrada dos leitos de lagoas e rios do nordeste em épocas de seca.

Fibra

Podemos encontrar as fibras escondidas em matas fechadas. Em árvores mais comuns são o junco e o apuí. As fibras precisam cozinhar em soda cáustica ou no vapor antes de serem trançadas.

No caso da cana-da-índia, às vezes, faz-se necessário o uso do maçarico. Somente após este processo de queima e cozimento, as fibras recebem uma nova imersão em água para perder, ainda mais, a rigidez e ficar mais fácil de serem entrançadas.

O Rio Parnaíba separa os estados do Piauí e Maranhão. Em um dos braços do rio fica localizada uma das cidades mais antigas do estado do Piauí, Parnaíba. Parnaíba está ligada por uma ponte ao pequeno povoado conhecido como Ilha Grande de Santa Isabel, local conhecido como o berço das Cestarias do Delta do Parnaíba. A palmeira do babaçu é a fonte de riqueza desta região e, de sua palha, é extraída a matéria-prima do artesanato, local.

O Cipó-de-fogo é outro tipo de fibra muito utilizada por artesãos de Cascavel, no estado do Ceará. Este tipo de trepadeira recebe este nome porque, quando nova, queima como fogo. A colheita deste tipo de cipó é realizada uma vez por mês. Com a matéria-prima nas mãos, são confeccionados de sofás a enfeites de jardim. Este tipo de tradição passa de pai para filho e a dificuldade de se achar o cipó aumenta pelo desmatamento acelerado, ocasionado, até mesmo, pelos próprios artesãos, os quais, só nesta região, já são em número de oitenta. O primeiro contato que estes artesãos têm com o cipó é logo na infância com a confecção dos próprios brinquedos.

Na serra de Baturité no estado do Ceará, temos Pedro Balaiero, nome recebido na juventude por criar acessórios e balaios com a raiz do Imbé. A fina espessura e a delicadeza da fibra mascaram a sua resistência e qualidade. Seu trabalho está espalhado nos quatro cantos do País, sendo seu maior orgulho a confecção de um chapéu para o papa João Paulo II.

Madeira

“... Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!
...Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até um ribeiro grande, e de muita água, que ao nosso parecer é o mesmo que vem ter à praia, em que nós tomamos água. Ali descansamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dele, entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos.” (2)

Os portugueses na época do “achamento” do Brasil não tinham idéia da vastidão do território Brasileiro e nem, ao menos, tinham a noção das riquezas naturais que estavam diante deles. De acordo com estatísticas do IBAMA de 1991, estão registradas, até o momento, cerca de 3.000 espécies de árvores. Somente nos 5.000.000 km2 da Floresta Amazônica que cobrem metade do Brasil e que, também, abrigam a Bacia Amazônica, correm 1/5 de toda a água doce do planeta. Em cada um desses hectares são encontradas de 100 a 300 diferentes espécies de árvores e, provavelmente, poderá levar até um século para coletar e descrever em torno de 80% do total das espécies existentes na região. A riqueza da biodiversidade das matas brasileiras sofre, a cada ano, com a destruição sofrida pelo desmatamento.

No estado da Bahia, o artesão Hugo França utiliza árvores que foram abandonadas na mata como matéria-prima para o seu trabalho. O Pequi é um espécime que chega a uma altitude de até 40 metros, é uma árvore frondosa e quase extinta na região. Graças à oleosidade natural e às fibras trançadas, facilita conseguir formas cilíndricas. O artesão começou utilizando velhas canoas de Pequi abandonadas na região de Trancoso na Bahia para esculpir móveis e aprendeu, com pescadores, a aproveitar as formas naturais do tronco, removendo a parte apodrecida para criar peças genuínas que combinam arte e natureza de forma harmoniosa.

As Madeiras destinadas ao abandono são transformadas, pelo desejo do artista, em lhes dar uma segunda vida. Em uma mostra realizada no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, Hugo França expôs mesas, cadeiras, bancos, espreguiçadeiras, chaise-longue, banheiras de Ofurô(3) e também esculturas. São cerca de 15 peças únicas, consideradas verdadeiras esculturas mobiliárias. A resistência da madeira utilizada pelo escultor permitiu que a exposição fosse montada no jardim do Museu da Casa Brasileira, que tem 6.600 m² e cerca de 350 árvores de 50 espécies. Com esta mostra, Hugo França coloca em questão também o destino das árvores que caem ou são cortadas na cidade de São Paulo.

José Zanine Caldas (
1919 - 2001). Arquiteto, designer e artesão. Zanine foi profundo conhecedor da madeira, com a sua experiência do saber e do fazer. Trabalhando como maquetista para grandes arquitetos foi autodidata e aprendeu a projetar dando uma visão tridimensional aos traços dos mestres. Zanine trabalhou com a seleção de raízes e pedaços de madeiras enterrados no solo. Em 1980, fundou o Centro de Desenvolvimento das Aplicações da Madeira (DAM), um núcleo de estímulo à pesquisa sobre o uso das madeiras brasileiras na construção civil. Seu principal objetivo era evitar a crescente destruição das florestas no país. No final da década de 80, seu trabalho foi exposto no Museu do Louvre, em Paris, trazendo-lhe o reconhecimento internacional. No mesmo período, deu aulas na Escola de Arquitetura de Grenoble.

Tramas e tecido

No início da colonização havia poucos teares e os pigmentos eram de difícil aquisição. Mas, muitos foram os povos que chegaram ao Brasil e, conforme suas heranças culturais, deram sua contribuição ao artesanato e, desta miscigenação cultural, surgiram inovações técnicas.

As rendas fazem parte do cenário do litoral cearense. Uma tradição que vem de Portugal e das ilhas Açores. Alguns, dentre muitos tipos de renda que chegaram ao Brasil, persistem até os dias atuais. A técnica do labirinto, uma das mais tradicionais, consiste em recortar um pedaço de tecido, de preferência um tecido nobre, para desfiar e tecer em cima da área vazada. Aos poucos os bordados brancos ganham cores e desenhos padronizados.

Em Minas Gerais na cidade de Carvalhos, as tecedeiras e bordadeiras, que seguem o ofício que passou de mãe para filha, somaram as suas habilidades as do artesão Renato Imbroisi, uma parceria que mudou, de vez, a tendência do tear manual. Surgiram novas tramas e invenções com a utilização de junco, taboa e gravetos.

A flor do cedro, a fagulha da pinha e a semente de olho-de-cabra são apenas alguns dos adornos para as peças criativas do artesão. O resultado final deste trabalho são peças ricas em detalhes com fino acabamento. De acordo com Imbroisi e o estímulo à inserção do artesanato local na produção das confecções Brasil afora. A iniciativa visa estimular toda a cadeia produtiva, agregando originalidade e promovendo a inclusão social de modo a valorizar o material produzido pelos artesãos.

Muitos artesãos em diferentes regiões do Brasil, respeitando suas técnicas, cultura e tradições, estão ampliando este leque de possibilidades, introduzindo novas cores e materiais compatíveis com o processo, melhorando o acabamento e desenvolvendo produtos criativos e comercializáveis, abrindo novos mercados e permitindo o sustento das famílias. O resultado deste feliz casamento entre o artesanato tradicional e o design é renovação e surgimento de uma nova tendência.

Ferro

Para converter o metal em ornamentos nobres é necessário moldar à custa de marteladas e prensas por meio de torção até mesmo manual. Pode ser derretido e colocado em moldes para então ser convertido em ornamentos sólidos.

O arquiteto Hélio Guimarães Pellegrino trabalha com a renovação através da reciclagem de peças antigas e restos de demolições para executar seu trabalho. O arquiteto, artista plástico e designer, nasceu em berço de ouro cultural, filho do ilustre escritor e psicanalista Hélio Pellegrino (já falecido), dono de um talento multifacetado repleto de peças únicas e de sofisticada elegância.
Grades e portões de ferro, ladrilhos e portas de estilo é um exemplo deste material acumulado que passa pelo processo de recriação. Surgem então mesas, cadeiras, móbiles gigantes, tampos de mesa e o que a originalidade puder proporcionar.

Pedra

Jaime Nicola de Oliveira, ou Nicola, de Jaboatão, é reconhecido pelas cabeças de anjo, santos e cangaceiros esculpidas em pedra calcária e madeira. Tira proveito da textura da madeira para recriar com sua poderosa imaginação. Nascido na cidade de Quipapá, sertão de Pernambuco mudou-se, ainda criança, para Recife. Na adolescência, começou a entalhar madeira, observando outros artistas, e hoje, em menos de três minutos, é capaz de esculpir um esboço de anjo, manejando com destreza o martelete e o formão.

A região de Ouro Preto em Minas Gerais é uma cidade histórica e berço do estilo barroco brasileiro. Este patrimônio cultural do país, rico no comércio de pedra-sabão, é também o berço intelectual de estudantes universitários.


1. Pierre Clastres – Do etnocídio – Revista L’Homme – Reveu française d’antropologie, 1974.
2. Trechos da carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal - Porto Seguro, Ilha de Vera Cruz, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
3. Um tipo de banheira baseada na tradição japonesa. Seu formato é bem mais profundo do que as banheiras tradicionais permitindo a imersão até a altura dos ombros de uma pessoa sentada.

ARTE PRÉ-HISTÓRICA OU RUPESTRE

ARTE PRÉ-HISTÓRICA OU RUPESTRE

Divisão da Pré-História:


Paleolítico - a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um animal, por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por caçadores, e que fazia parte do processo de magia por meio do qual procurava-se interferir na captura de animais, ou seja, o pintor-caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num desenho. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é, feitas em rochedos e paredes de cavernas. O homem deste período era nômade. Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Mas, tanto na pintura quanto na escultura, nota-se a ausência de figuras masculinas. Predominam figuras femininas, com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos, ventre saltado e grandes nádegas. Destaca-se: Vênus de Willendorf. Aproximadamente 5.000.000 a 25.000 a.C.

Neolítico - a Idade da Pedra Polida, surge o arado e a manutenção de manadas, ocasionou um aumento rápido da população e o desenvolvimento das primeiras instituições, como família e a divisão do trabalho, desenvolveu a técnica de tecer panos, de fabricar cerâmicas e construiu as primeiras moradias e ainda, produzir o fogo através do atrito e deu início ao trabalho com metais. Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. Como conseqüência surge um estilo simplificador e geometrizante, sinais e figuras mais que sugerem do que reproduzem os seres. Os próprios temas da arte mudaram: começaram as representações da vida coletiva. Além de desenhos e pinturas, o artista do Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto, também esculturas de metal. Desse período temos as construções denominadas dolmens. Consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no chão, como se fossem paredes, e uma grande pedra era colocada horizontalmente sobre elas, parecendo um teto. E o menir que era monumento megalítico que consiste num único bloco de pedra fincado no solo em sentido vertical. O Santuário de Stonehenge, no sul da Inglaterra, apresenta um enorme círculo de pedras erguidas a intervalos regulares, que sustentam traves horizontais rodeando outros dois círculos interiores. No centro do último está um bloco semelhante a um altar. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde nasce o Sol no dia do solstício de verão, indício de que se destinava às práticas rituais de um culto solar. Lembrando que as pedras eram colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa. O período neolítico aconteceu aproximadamente 10.000 a 5.000 a.C.

Idade dos Metais - aproximadamente 5.000 a 3.500 a.C. ; aparecimento de metalurgia; aparecimento das cidades; invenção da roda; e invenção da escrita.

As principais cavernas que apresentam pintura rupestre:

Caverna de ALTAMIRA, Espanha, quase uma centena de desenhos feitos a 14.000 anos, foram os primeiros desenhos descobertos, em 1868. Sua autenticidade, porém, só foi reconhecida em 1902.
Caverna de LASCAUX, França, suas pinturas foram achadas em 1942, têm 17.000 anos. A cor preta, por exemplo, contém carvão moído e dióxido de manganês.
Caverna de CHAUVET, França, há ursos, panteras, cavalos, mamutes, hienas, dezenas de rinocerontes peludos e animais diversos, descoberta em 1994.
Gruta de RODÉSIA, África, com mais de 40.000 anos.
Parque Nacional Serra da Capivara - Sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. Nessa região encontra-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres. Para saber mais visite:
http://www.fumdham.org.br/parque.asp

ARTE EGÍPCIA

ARTE EGÍPCIA

Uma das principais civilizações da Antigüidade foi a que se desenvolveu no Egito, já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais. A religião invadiu toda a vida egípcia, interpretando o universo, o fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado, para o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.

As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e, foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Junto a essas três pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito, que representa o faraó Quéfren, mas as ações erosivas do vento e das areias do deserto deram-lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso. As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e seus pertences. Os monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e os templos.
Divididos em três categorias: Pirâmide - túmulo real, destinado ao faraó; Mastaba - túmulo para a nobreza; e Hipogeu - túmulo destinado à gente do povo. Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididas conforme seu capitel: Palmiforme - flores de palmeira; Papiriforme - flores de papiro; e Lotiforme - flor de lótus. Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). Eram colocadas na alameda de entrada do templo para afastar os maus espíritos.Obelisco: era colocado à frente dos templos para materializar a luz solar.Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de frente, sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de imortalidade e ainda, exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano, dando às figuras representadas uma impressão de força e de majestade. Os Usciabtis eram figuras funerárias em miniatura, geralmente esmaltadas de azul e verde, muitas vezes coberto de inscrições. Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho, recobriam colunas e paredes, dando um encanto todo especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo.

Algumas características das pinturas eram: o uso das cores puras sem misturas e sem relevo; a ausência de três dimensões; não havia perspectiva de profundidade; utilização da Lei da Frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de perfil; e As figuras femininas eram pintadas em ocre, enquanto que as masculinas pintadas de vermelho. Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós. Desenvolveram três formas de escrita: Hieróglifos - considerados a escrita sagrada; Hierática - uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes; Demótica - a escrita popular.

ARTE GREGA

ARTE GREGA

A arte grega liga-se à inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo e para o gozo da vida presente, caracterizava-se por contemplar a natureza, na sua constante busca da perfeição, o em que predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. As edificações que despertaram maior interesse são os templos. A característica mais evidente dos templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O templo era construído sobre uma base de três degraus. O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as colunas. As colunas sustentavam um entablamento horizontal formado por três partes: a arquitrave, o friso e a cornija. As colunas e entablamento eram construídos segundo os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia.

Ordem Dórica - era simples e maciça. O fuste da coluna era monolítico e grosso. O capitel era uma almofada de pedra, nela se expressa o pensamento e a simplicidade sendo a mais antiga das ordens arquitetônicas gregas.

Ordem Jônica - representava a graça e o feminino. A coluna apresentava fuste mais delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata, mas sobre uma base decorada. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. A ordem dórica traduz a forma do homem e a ordem jônica traduz a forma da mulher.

Ordem Coríntia - o capitel era formado por folhas de acanto e quatro espirais simétricas, muito usadas no lugar do capitel jônico, de um modo que sugere luxo e ostentação.

Pintura
- Os vasos gregos são também conhecidos não só pelo equilíbrio como pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Ânfora - vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas; Hidra - (derivado de água) tinha três asas, uma vertical para segurar enquanto corria a água e duas para levantar; Cratera - tinha a boca muito larga, com o corpo em forma de um sino invertido, servia para misturar água com o vinho. As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega, divide-se em três grupos: figuras negras sobre o fundo vermelho; figuras vermelhas sobre o fundo negro; e figuras vermelhas sobre o fundo branco.

Escultura - Na escultura, o antropomorfismo - esculturas de formas humanas - foi insuperável. As estátuas adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, o movimento. Primeiramente aparecem esculturas simétricas, em rigorosa posição frontal, com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas. Esse tipo de estátua é chamado Kouros (palavra grega: homem jovem). No Período Clássico passou-se a procurar movimento nas estátuas, para isto, se começou a usar o bronze que era mais resistente do que o mármore, podendo fixar o movimento sem se quebrar. Surge o nu feminino, pois no período arcaico, as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. Período Helenístico pode observar o crescente naturalismo: os seres humanos não eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade, mas também segundo as emoções e o estado de espírito de um momento.

ARTE ROMANA

ARTE ROMANA

A arte romana sofreu duas fortes influências: a da arte etrusca popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e a da greco-helenística, orientada para a expressão de um ideal de beleza. Dos etruscos o uso do arco e da abóbada nas construções, e dos gregos a busca do útil imediato, senso de realismo, a grandeza material realçando a idéia de força, energia e sentimento e predomínio do caráter sobre a beleza.

Arquitetura - Templos(planta circular fechada por uma cúpula); Basílica(planta retangular, de quatro a cinco mil metros dividida em várias colunatas); Termas; Circo(Jogos circenses - corridas de carros; ginásios - incluídos neles o pugilato; Teatro(Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis); Anfiteatro(o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros,o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas, de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem coríntia; Arco de Triunfo(pórtico monumental feito em homenagem aos grandes líderes); Coluna Triunfal; e Casa.

Mosaico - foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em geral.

Pintura – revestiam paredes internas dos edifícios com uma camada de gesso pintado; que dava impressão de placas de mármore, ou painéis que criavam a ilusão de janelas abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando um grande mural e: representações fiéis da realidade e valorizou a delicadeza dos pequenos detalhes, painéis de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente cópia de obra grega, imitando um cenário teatral.

ARTE PALEOCRISTÃ

ARTE PALEOCRISTÃ

Surge uma arte simples e simbólica executada por pessoas que não eram grandes artistas com temas cristãos e primitivos. Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo, o qual marcou uma nova era e uma nova filosofia e o surgimento de um "novo reino" espiritual. Pelo fato das perseguições surge a fase catacumbária, que recebe este nome devido às catacumbas, cemitérios subterrâneos em Roma, onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus cultos. Nesses locais, a pintura é simbólica. Para entender melhor a simbologia: Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe, pois a palavra peixe, em grego ichtus, forma as iniciais da frase: "Jesus Cristo de Deus Filho Salvador". Outra forma de simbolizá-lo é o desenho do pastor com ovelhas "Jesus Cristo é o Bom Pastor" e também, o cordeiro "Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus".

O império Romano do Ocidente sofreu várias invasões, principalmente de povos bárbaros, até que, em 476 d.C., foi completamente dominado(esta data, 476 d.c., marca o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média). Já o Império Romano do Oriente (onde se desenvolveu a arte bizantina), apesar das dificuldades financeiras, dos ataques bárbaros e das pestes, conseguiu se manter até 1453, quando a sua capital Constantinopla foi totalmente dominada pelos muçulmanos (esta data, 1453, marca o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna).

ARTE BIZANTINA

ARTE BIZANTINA

A invasão dos povos barbaros levou Constantino a transferir a capital do Império para Bizâncio, cidade grega, depois batizada por Constantinopla. A mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma; facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de arte cristã - Arte Bizantina. Graças a sua localização (Constantinopla) a arte bizantina sofreu influências de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na cor.

Pintura - era dirigida ao clero onde os artistas eram meros executores. O regime era teocrático e o imperador era o representante de Deus, tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a cabeça, e, não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa, ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus.

Mosaico – foi a expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas, mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários imperadores e em nada se assemelha aos mosaicos romanos; são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos. Neles, por exemplo, as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade; a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro.

Arquitetura – as igrejas eram planejadas sobre uma base circular, octogonal ou quadrada imensas cúpulas, criando-se prédios enormes e espaçosos totalmente decorados.

ARTE ISLÂMICA

ARTE ISLÂMICA
No ano de 622, o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e para aquela que desde então se conhece como Medina (Madinat al-Nabi, cidade do profeta). De lá, sob a orientação dos califas, sucessores do profeta, começou a rápida expansão do Islã até a Palestina, Síria, Pérsia, Índia, Ásia Menor, Norte da África e Espanha. De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética própria com a qual se identificassem, absorvendo traços estilísticos dos povos conquistados transformando-os em seus próprios sinais de identidade. Foi assim que as cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas, e os esplêndidos tapetes persas, combinados com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a arte islâmica foi na realidade, desde seu início, conceitual e religiosa. Evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. Daí o emprego de formas como os arabescos, resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista.

Arquitetura - As mesquitas seguindo o modelo da casa de Maomé em Medina, eram constituídas de uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A área de oração era coberta, enquanto no pátio estavam as fontes para as abluções.

Tapeçaria - Os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmicas. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas. Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40 000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração.

Pintura - As obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas, geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa.

Mosaico - Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No início, as representações eram completamente figurativas, mas foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco.

GÓTICO

IDADE MÉDIA
ARTE GÓTICA

No século XII, entre os anos 1150 e 1500, tem início uma economia fundamentada no comércio. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana.

O Gótico é o período da arte que determina a transição da Idade Média ao Renascimento, e constitui a primeira época da História da Arte da qual ainda existem obras nos mais variados gêneros artísticos – Escultura, Pintura, Gravuras, Arquitetura, Ourivesaria, Manuscritos, Vitrais,... – A partir destes aspectos englobaremos os mais variados aspectos que caracterizam esta tendência artística.

A França não foi apenas o lugar de origem das grandes ordens religiosas dos séculos XI e XII – Clunaicos, Cartuxos, Cistercienses e Premonstratenses – mas também o berço do estilo gótico e sede de grandes centros de erudição ligados a igrejas e catedrais. Foi na França que surgiu a primeira Universidade, a qual, fundada em Paris.Foi também na França que houve a concepção e desenvolvimento do sistema científico-filosófico da escolástica, o qual combinava o estudo dos filósofos clássicos, incluindo pela primeira vez Aristóteles, com um novo racionalismo e uma visão desapaixonada.
O Gótico surgiu por volta de 1140 na província que já então se chamava “Francien”, na pequena região entre Compiègne e Bourges, que tinha como seu centro Paris. Com o desenvolvimento da sociedade da corte e do advento da cultura cívica, o estilo gótico floresceu.A arte estava agora impregnada de sofisticação e elegância com uma maior ênfase na sensibilidade e buscando inspiração à própria vida. Em meados do século XII, o prestígio dos grandes mosteiros era incontestável. Os religiosos e intelectuais mais influentes eram monges, como o abade da ordem beneditina Suger e o monge organizador da ordem Cisterciense, São Bernardo e Clairvaux.

Os empreendimentos artísticos eram totalmente dominados e controlados pelos principais hierarcas monásticos, e era nos mosteiros que se encontravam as melhores oportunidades de trabalho. Por volta de 1300, tudo isso mudou.Já no final do século XII, as ordens monásticas tradicionais pareciam ter se tornado irrelevantes para a população dos centros urbanos, que estavam em constante expansão, surgiram então várias outras seitas mais acessíveis, algumas delas heréticas.

As cidades cresceram, as comunidades e a educação se desenvolveram, surgiram novas tecnologias como o aperfeiçoamento do arado e a introdução ao moinho de vento, que revolucionou a agricultura, trazendo consigo a prosperidade que consecutivamente, traria recursos de desenvolvimento para o ramo da construção. O arquiteto do período possuía características mais fortes de técnico e de engenheiro e a experimentação de natureza técnica foi uma das características dessa época, incluindo os primeiros desenhos à escala.A coroação da Arquitetura gótica foi os vitrais que transformavam as janelas das igrejas em visões resplandecentes de um mundo melhor.

As igrejas ficaram abarrotadas de imagens de santos, profetas e mártires. Os arquitetos aspiravam a criar edifícios cujos espaços elevadíssimos enfatizassem o mistério e a imensidão de Deus. Inspiravam-se sobretudo no simbolismo da luz, o elemento que acreditavam se assemelhar mais ao poder de Deus e seu esplendor multicolorido. A catedral dominou a cidade do século XIII e suas dimensões atraíam visitantes como um imã, ficando quase sempre situada nos centros das cidades, geralmente nas proximidades dos mercados.O homem estava libertando-se do temor gerado pela ignorância, e a Igreja precisava atrair um novo tipo de público. A Igreja gótica fornecia ao público, logo em sua primeira experiência visual, imagens intelectualmente coerentes.
Os 150 anos anteriores haviam presenciado não só acontecimentos de importância decisiva na história da civilização européia, como também testemunhado uma mudança fundamental na percepção de Deus pelo homem, propagada por pensadores como Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino e divulgada pelas novas Universidades. A pintura teve um começo modesto, até o século XIII as principais tarefas exigidas aos pintores não eram nem tão inovadoras nem tão extraordinárias, tudo era determinado pela arquitetura, que pairava acima de todas as outras artes, e pela escultura, que adquira uma nova projeção nos edifícios sacros. A própria ourivesaria tornara-se mais importante.A partir do final dos séculos XIII, a passagem de artesão a artista foi também concretizada. Os motivos deixaram de ser simplesmente copiados de outras fontes, sendo estudados diretamente a partir da natureza.
Os artistas começaram a ter orgulho das suas capacidades inventivas, usando de suas inovações técnicas. Começava assim o despontar das experimentações. Foi por volta de 1430, que a pintura constituiu o gênero dominante na Europa. O apogeu da pintura foi com as técnicas de frescos, que eram elaboradas e ininterruptas, e possuía uma paleta de cores luminosas, onde o traço era a característica inconfundível. As pretensões mais nobres a partir dos finais do século XIV foi a da adoção de uma nova filosofia e uma nova abordagem de sua profissão.

Arquitetura - A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica é a fachada. com três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais. A construção expressa a grandiosidade divina e a crença na existência de um Deus que vive num plano superior onde tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas. A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV. Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja. As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

Esculturas - As esculturas estão ligadas à arquitetura e se alongam para o alto, demonstrando verticalidade, alongamento exagerado das formas, e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada, exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja. No exterior das construções sempre a presença de imagens mundanas, gárgulas, demônios e quimeras, lembrando ao observador do sofrimento do purgatório e do juízo final.

Iluminuras - ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos de patrimônio quase exclusivo dos mosteiros. Os ricos manuscritos ilustrados possuíam nos cabeçalhos e nos títulos, letras maiúsculas que iniciavam um texto. Utilizava-se folhas de ouro para ilustrar as páginas e cores puras, dando um senso de sofisticação e poder.

Pintura - desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano celeste. Muito uso de dourados e representação de posses e riquezas.

Giotto - a característica principal do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento. Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

Jan Van Eyck - procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens. Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

RENASCIMENTO

RENASCIMENTO

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências.

Arquitetura - a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque. Principais características: Ordens Arquitetônicas; Arcos de Volta-Perfeita; Simplicidade na construção; A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas. Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto. Além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela Pazzi.

Pintura – em termos de perspectiva apresentavam uma elaborada noção de profundidade de campo e pontos de vista, seja no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria. Na utilização do claro e escuro utilizava-se a técnica de pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. No Realismo o homem passa a ser o maior expoente da grandeza de Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.

Inicia-se o uso da tela e da tinta a óleo. Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes. Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e, conseqüentemente, pelo individualismo.

Principais Pintores:

Botticelli - os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.

Leonardo da Vinci - ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano. Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.

Michelângelo - entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem. Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família.

Rafael - suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã.

A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). E é na própria Capela que se faz o Conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para proceder a eleição do próximo. Lareira que produz fumaça negra - que o Papa ainda não foi escolhido; fumaça branca - que o Papa acaba de ser escolhido, avisa o povo na Praça de São Pedro, no Vaticano Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem, pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia. Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão: “Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça, o escafandro, um modelo de asa-delta, etc. Quando deparamos com o quadro da famosa MONALISA não conseguimos desgrudar os olhos do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma pessoa olhando para a frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os quadros são lisos. Se olharmos para a Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a ponta do nariz para a frente e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente.

MANEIRISMO

MANEIRISMO

Paralelamente ao renascimento clássico, desenvolve-se em Roma, do ano de 1520 até por volta de 1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: o maneirismo (maniera, em italiano, significa maneira). Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos.

Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento. A Europa estava dividida após a Reforma de Lutero, a desolação e a incerteza, e impérios começam a se formar e o homem já não é a principal e única medida do universo.

Pintura - Pintores, arquitetos e escultores são impelidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias. São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela própria arte. Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente. Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorsões absolutamente impróprias para os seres humanos. Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis. Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva, mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo.

Arquitetura - dá prioridade à construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração.

Principal Artista:

El Greco (1541-1614) - ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da pintura veneziana e a religiosidade espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos. Entre suas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. Homem com a Mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São Maurício. Esta última lhe custou a expulsão da corte.

BARROCO

BARROCO

A arte barroca originou-se na Itália (séc. XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e a chegar também ao continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis. As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente. Predomina as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal; Deus e Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza; paganismo e cristianismo; espírito e matéria. Suas características gerais são: emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio; busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas; entrelaçamento entre a arquitetura e escultura; violentos contrastes de luz e sombra; pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida; Composição assimétrica, em diagonal - que se revela num estilo grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista; Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos) - era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade; Realista, abrangendo todas as camadas sociais; Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática.

Principais pintores:

Caravaggio - o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção do observador. Obra destacada: Vocação de São Mateus.

Andrea Pozzo - realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que este se abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a santidade. Obra destacada: A Glória de Santo Inácio.

Velázquez - além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. Obra destacada: O Conde Duque de Olivares.

Rubens - além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas. Obra destacada: O Jardim do Amor.

Rembrandt - o que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. Obra destacada: Aula de Anatomia.

Escultura - o predomínio das linhas curvas, que remete a dobras de tecido e do uso do dourado; e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento. Bernini - arquiteto, urbanista, decorador e escultor, algumas de suas obras serviram de elementos decorativos das igrejas, como, por exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Obra destacada: A Praça de São Pedro, Vaticano e o Êxtase de Santa Teresa
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ROCOCÓ

ROCOCÓ

Rococó é o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco, mais leve e intimista que aquele e usado inicialmente em decoração de interiores.Desenvolveu-se na Europa do século XVIII, e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. Vigoroso até o advento da reação neoclássica, por volta de 1770, difundiu-se principalmente na parte católica da Alemanha, na Prússia e em Portugal. Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia, pastorais, alusões ao teatro italiano da época, motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos e molduras. O termo deriva do francês rocaille, que significa "embrechado", técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizado originariamente na decoração de grutas artificiais. Na França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI. Caracterizava-se pelo uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos, tais como conchas, laços, flores, a leveza do caráter intimista, elegância, alegria, bizarro, frivolidade e exuberancia.

Arquitetura - o rococó foi a principal corrente da arte e da arquitetura pós-barroca com a obra do decorador Pierre Lepautre, o rococó era a princípio apenas um novo estilo decorativo. Cores vivas foram substituídas por tons pastéis, a luz difusa inundou os interiores por meio de numerosas janelas e o relevo abrupto das superfícies deu lugar a texturas suaves. A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno foi unificado, com maior graça e intimidade.

Principais Artistas:

Johann Michael Fischer, (1692-1766), responsável pela abadia beneditina de Ottobeuren, marco do rococó bávaro. Grande mestre do estilo rococó, responsável por vários edifícios na Baviera. Restaurou dezenas de igrejas, mosteiros e palácios.

Johann Michael Feichtmayr, (1709-1772), escultor alemão, membro de um grupo de famílias de mestres da moldagem no estuque, distinguiu-se pela criação de santos e anjos de grande tamanho, obras-primas dos interiores rococós.Ignaz Günther, (1725-1775), escultor alemão, um dos maiores representantes do estilo rococó na Alemanha. Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. "Anunciação", "Anjo da guarda", "Pietà".

Antoine Watteau, (1684-1721), as figuras e cenas de Watteau se converteram em modelos de um estilo bastante copiado, que durante muito tempo obscureceu a verdadeira contribuição do artista para a pintura do século XIX.François Boucher, (1703-1770), as expressões ingênuas e maliciosas de suas numerosas figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade clássica, mas a alegre descontração do estilo rococó. Além dos quadros de caráter mitológico, pintou, sempre com grande perfeição no desenho, alguns retratos, paisagens ("O casario de Issei") e cenas de interior ("O pintor em seu estúdio"). Jean-Honoré Fragonard , (1732-1806), desenhista e retratista de talento, Fragonard destacou-se principalmente como pintor do amor e da natureza, de cenas galantes em paisagens idílicas. Foi um dos últimos expoentes do período rococó, caracterizado por uma arte alegre e sensual, e um dos mais antigos precursores do impressionismo.

NEOCLASSICISMO

NEOCLASSICISMO

Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX, uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se do Neoclassicismo (neo = novo), que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da Sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão. Principais características: retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos; academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes; arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles.

Arquitetura - Tanto nas construções civis quanto nas religiosas, a arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. Exemplos dessa arquitetura são a igreja de Santa Genoveva, transformada depois no Panteão Nacional, em Paris, e a Porta do Brandemburgo, em Berlim.Pintura - inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição. Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante, exatidão nos contornos e do colorido.

Jacques-Louis David - foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais tarde, tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. Durante o governo de Napoleão, registrou fatos históricos ligados à vida do imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo, mas algumas delas exprimem fortes emoções.Obra destacada: Bonaparte atravessando os Alpes e Morte de Marat.

Ingres - sua obra abrange, além de composições mitológicas e literárias, nus, retratos e paisagens, mas a crítica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. Ingres soube registrar a fisionomia da classe burguesa do seu tempo, principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na individualidade. Obra destacada: Banhista de Valpinçon.

ROMANTISMO

ROMANTISMO

O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas por acontecimentos do final do século XVIII que foram a Revolução Industrial que gerou novos inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção, provocando a divisão do trabalho e o início da especialização da mão-de-obra, e pela Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica, em que os direitos individuais fossem respeitados, traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Do mesmo modo, a atividade artística tornou-se complexa. Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista. Suas principais características são: a valorização dos sentimentos e da imaginação; o nacionalismo; a valorização da natureza como princípios da criação artística; e os sentimentos do presente tais como: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Na Escultura e Arquitetura - registram pouca novidade. Observa-se, grosso modo, a permanência do estilo anterior, o neoclássico. Vez por outra retomou-se o estilo gótico da época medieval, gerando o neogótico. Obra Destacada: Edifício do Parlamento Inglês.

Pintura - Aproximação das formas barrocas. Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador. Valorização das cores e do claro-escuro sugerindo dramaticidade. Os temas variavam entre fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas, natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas e Mitologia Grega.

Principais artistas:

Goya - Nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos, Espanha, em 1746. Morreu em Bordeaux, em 1828. Goya e sua mitologia povoada por sonhos e pesadelos, seres deformados, tons opressivos. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. Trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, os horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas históricas e as lutas pela liberdade. Obra destacada: Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808.

Turner - representou grandes movimentos da natureza, mas por meio do estudo da luz que a natureza reflete, procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem. Uma das primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva). Obras destacadas: Chuva, Vapor e Velocidade e O Grande Canal, Veneza.

Delacroix - suas obras apresentam forte comprometimento político, e o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores, das luzes e das sombras, dando-nos a sensação de grande movimentação. Representava assuntos abstratos personificando-os. Obras destacadas: A Liberdade guiando o povo e Agitação de Tânger.

REALISMO

REALISMO

Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias, sobretudo na pintura francesa, uma nova tendência estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade. São características gerais: o cientificismo, a valorização do objeto, o sóbrio e o minucioso e a expressão da realidade e dos aspectos descritivos.Arquitetura - Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas, criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas precisam de fábricas, estações, ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os operários quanto para a nova burguesia. Em 1889, Gustavo Eiffel levanta, em Paris, a Torre Eiffel, hoje logotipo da "Cidade Luz".

Escultura - Auguste Rodin - não se preocupou com a idealização da realidade. Ao contrário, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiam os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano. Obras destacadas: Balzac, Os Burgueses de Calais, O Beijo e O Pensador.Pintura - representação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza, ou seja o pintor buscava representar o mundo de maneira documental. Ao artista não cabe "melhorar" artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual ela é. Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade. Temas da pintura: Politização: a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injusta; a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos. Pintura social denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. As pessoas das classes menos favorecidas - o povo, em resumo - tornaram-se assunto freqüente da pintura realista. Os artistas incorporavam a rudeza, a fealdade, a vulgaridade dos tipos que pintavam, elevando esses tipos à categoria de heróis. Heróis que nada têm a ver com os idealizados heróis da pintura romântica.

Principais Pintores:

Courbet - foi considerado o criador do realismo social na pintura, pois procurou retratar em suas telas temas da vida cotidiana, principalmente das classes populares. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade no século XIX. Obra destacada: Moças Peneirando o Trigo.

Jean-François Millet - sensível observador da vida campestre, criou uma obra realista na qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Foi educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. Trabalhou na lavoura desde muito cedo. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram, mais tarde, Pissarro e Van Gogh. É o caso, por exemplo, "Angelus".

IMPRESSIONISMO

IMPRESSIONISMO

O Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. Havia algumas considerações gerais, muito mais práticas do que teóricas, que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizaram a pintura impressionista. As pinturas registravam todas as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol. As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens. As sombras devem ser luminosas e coloridas sempre utilizando uma paleta com tons pastéis, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado. Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se óptica. Artistas de destaque: Renoir, Monet, Degas, Camille Pizarro

TENDÊNCIAS DA ARTE PÓS-MODERNA

Nas primeiras décadas de seu surgimento, a arte moderna foi um fenômeno exclusivamente Europeu, representante de variadas vanguardas que iniciaram sua experimentação com novas maneiras de representar a luz e o espaço através da cor. Após a primeira Guerra Mundial, teve fim esta fase e iniciaram os movimentos Anti-Arte, como o Dada ou Dadaísmo, a arte de Marcel Duchamp, um dos precursores da arte conceitual que introduziu a idéia de Ready Made como objeto de arte e o movimento Surrealista. Neste mesmo momento grupos de artistas como de Stijl e Bauhaus inseriram novas idéias sobre a comunicação da arte com a arquitetura. Com raras exceções, os artistas repudiavam as linguagens formais como a pintura e a escultura, por estarem corrompidas e dependentes de relações comerciais. O retorno à pintura passa a ser recebido com novos artifícios, desde o uso abusivo das cores até o uso de objetos do cotidiano, adotados como suporte figurativo da própria obra. A “desterritorialização” da sociedade contemporânea pelo advento da globalização. Transpor os limites territoriais e culturais potencializou o surgimento de muitas vanguardas e suas novas tendências, que buscam, muitas vezes, no passado, fragmentos a serem reestruturados e adicionados de forma a reconstruir e a gerar uma nova experimentação - nômade e mutante – e só então renasceu a pintura.


Desmaterialização, desconstrução, transposição – Características deste panorama singular e de uma nova era para a arte. Intervir nos significados, reinventando os conceitos pré-estabelecidos, onde a técnica e teoria desprendem-se e intensificam-se de forma vivaz com a intenção de coexistir com o meio. Em meio a um mercado cultural faminto, entediado e angustiado, os espectadores sempre estão à espera de algo novo e inédito. A arte pós-moderna, mais do que qualquer coisa, busca a absorção das reações que desperta no espectador. O museu e a galeria já não são mais o templo real da obra. Em seu lugar ressurgiu o espaço cotidiano. A obra já não é mais feita com a intenção de permanecer e sim de ser executada, lembrada e discutida, onde cada instante e interferências também fizessem parte do contexto.

VANGUARDAS PÓS-MODERNAS

A pós-modernidade é uma condição social, cultural e estética do mercado capitalista contemporâneo. Um dos pioneiros do emprego do termo pós-moderno é o Francês François Lyotard.


Lyotard explica a condição pós-moderna como o fim das metas narrativas onde os grandes esquemas explicativos da arte teriam caído em descrédito e não haveria mais possíveis garantias, já que até mesmo a ciência permite controvérsias e já não é mais a fonte da verdade.

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, prefere usar a expressão “modernidade líquida” e a caracteriza como uma realidade ambígua e multiforme.

Gilles Lipovetsky, filósofo francês, prefere o uso do termo “hipermodernidade” por considerar não haver de fato uma ruptura com os tempos modernos, contudo admite uma afloração de certas características das sociedades modernas.


MAPEAMENTO DA ARTE PÓS-MODERNA

1900 – 1918: o mundo moderno

Fauvismo
- Característica: Criar, em arte, não tem relação com o intelecto e nem com sentimentos; Criar é seguir os impulsos do instinto, as sensações primárias; A cor pura deve ser exaltada; As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares, no mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens. A pintura fauvista apresentava pincelada violenta, espontânea e definitiva. Ausência de ar livre. Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva, não correspondendo à realidade. Uso exclusivo das cores puras, escuras e quentes, como saem das bisnagas. Pintura por manchas largas, formando grandes planos, formas simplificadas, cores vivas e fortes chapadas, aplicadas com espontaneidade e aspereza. Destaques: Henri Matisse(1869-1954), André Derain(1880-1954), Maurice Vlaminck(1876-1958) e Paul Gauguin(1848-1903);

Expressionismo – Característica: A pintura registrava uma pesquisa no domínio psicológico. As cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas. O dinamismo improvisado, abrupto, inesperado. Havia a presença de textura com uma pasta grossa, martelada, áspera. A técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões. A preferência pelo patético, trágico e sombrio uso simbólico e emotivo da cor e da linha como oposição ao impressionismo que registrava uma impressão do mundo, no expressionismo o artista imprimia seu próprio temperamento sobre a visão do mundo. Destaques: Paula Modersohn-Becker(1876-1907), Emil Nolde(1867-1956), Oskar Kokoschka(1886-1980) e Egon Schiele(1890-1918);

A Ponte – Característica: desenho simplificado, formas exageradas e cores ousadas e contrastantes. Destaques: Fritz Bleyl(1880-1966), Erich Heckel(1883-1970), Ernst Ludwig Kirchner(1880-1938) e Karl Schmidt-Rottluff(1884-1976);

Ashcan School - A Escola da Lata de Lixo – Característica: não houve mudança técnica ou do estilo, mas na temática e na atitude, por uso de temas que retratavam a vida na periferia, como: prostituição, meninos de rua, lutadores de luta livre e lutas de boxe ilegal. Destaques: George Bellows(1882-1925), Ernest Lawson(1873-1929), Arthur B. Davies(1862-1939), Maurice Prendergast(1859-1924), Robert Henri(1865-1929), Everett Shinn(1876-1953), John Sloan(1871-1951) e George Luks(1867-1933);

Deutscher Werbund – Característica: aperfeiçoamento do trabalho mediante a cooperação da arte, da indústria, do artesanato, da educação, da publicidade com o objetivo de unificar as atitudes para melhorar a qualidade de vida da nação. Trazer o melhor da arte para o mundo, como permitir a transição das artes aplicadas ao design industrial e decoração. Destaques: Hermann Muthesius(1861-1927), Walter Gropius(1883-1969) e Heinrich Tessenow(1876-1950);

Cubismo – Característica: imagens compostas de um objeto visto a partir de uma variedade de ângulos – em cima, em baixo, atrás, na frente – mais do que descritos os objetos são sugeridos. Conduz o olhar a diferentes áreas da pintura e, ao mesmo tempo, cria um sentido de profundidade, chama a atenção para a superfície da tela e projeta-se no espaço do observador. Fortemente influenciada nas imagens de máscaras tribais africanas. Destaques: Georges Braque(1882-1963), Pablo Picasso(1881-1973), Fernand Léger(1881-1955), Francis Picabia(1879-1953), Juan Gris(1887-1927), Henri Matisse(1869-1954) e Paul Cézanne(1839-1906);

Futurismo – Característica: imagens cubistas em movimento, usaram formas geométricas e os planos de inserção cubistas, em combinação com cores complementares e sucessão de imagens. Destaques: Carlo Carrá(1881-1966), Giacomo Balla(1871-1958) e Umberto Boccioni(1882-1916);

Valete de Ouros – Característica: Cores vibrantes, formas simplificadas remetendo as artes gráficas populares e estilo neoprimitivo. Destaques: Mikhail Lariônov(1881-1964), Natália Gontcharova(1881-1962), Iliá Machkov(1884-1944), Piotr Konchalóvski(1876-1956) e Robert Falk(1886-1958);

O Cavaleiro Azul – Característica: defendia a liberdade do artista na escolha de qualquer estilo utilizando formas futuristas fundindo as formas uma nas outras com cores e jogos de luz ousados, com linhas e cores livres e formas espiraladas e forte expressão simbolista e espiritual das cores. Destaques: Vassili Kandinski(1866-1944), Paul Klee(1879-1940), Gabriele Münter(1877-1962), Franz Marc(1880-1916), August Macke(1887-1914) e Alfred Kubin(1877-1959);

Sincronismo – Característica: a importância do conceito, superior ao tema. Explora as propriedades e os efeitos da cor buscando uma relação entre as cores e as formas com os ritmos musicais. Destaques: Morgan Russell(1886-1953) e Stanton MacDonald-Wright(1890-1973);

Orfismo – Característica: ou cubismo órfico, onde as novas pinturas abstratas eram losangos luminosos, redemoinhos de cores saturadas, que se diluíam uns nos outros. No plano técnico era um tipo de pintura que dependia unicamente da cor e do contraste da cor, oferecendo uma percepção simultânea. Destaques: Sonia Delaunay(1885-1979), Robert Delaunay(1885-1941), Frantisek Kupka(1871-1957), Fernand Léger(1881-1955), Francis Picabiá(1879-1953) e Marcel Duchamp(1887-1968);

Raionismo – Característica: as pinturas raionistas retratavam não os objetos, mas a interação de raios refletidos a partir deles. Destaque: Mikhail Lariônov(1881-1964) e Natália Gontcharova(1881-1962);

Suprematismo – Característica: abstração geométrica, com o objetivo de livrar a arte da representação, liberta de qualquer conceito utilitário ou social. Forma e cor puras. Destaque: Kasimir Maliêvitch(1878-1935);

Construtivismo – Característica: estruturas esculturais de um geometrismo abstrato radical, realizadas com materiais industriais, tais como vidro, metal, madeira e gesso, ocupando um espaço real tridimensional. Celebravam a cultura mecanizada. Destaque: Vladimir Tátlin(1885-1914), Naum Gabo(1890-1977), Anton Pesvner(1884-1962), Aleksandr Ródtchenko(1891-1956) e Konstantin Mélnikov(1890-1974);

Pintura Metafísica – Característica: são pinturas tranqüilas e paradas, os cenários arquitetônicos com adornos clássicos, perspectivas distorcidas e uma estranha imaginária justaposição de objetos sem congruência. Destaques: Giorgio Chirico(1888-1978) e Carlo Carrà(1881-1966);

Vorticismo – Característica: blocos de cor, esculturas mecânicas e alienígenas. O objetivo dos vorticistas era fazer a arte englobar as formas das máquinas, fábricas e edificações modernas. O estilo era anguloso. Destaques: Wyndham Lewis(1884-1957), Cuthbert Hamilton(1884-1959), Alvin L. Coburn(1882-1966) e Lawrence Atkinson(1873-1931);

Dadá – Característica: fenômeno internacional e multidisciplinar e que significou tanto um estado mental ou modo de vida quanto um movimento. Forma de demonstração de indignação no pós-guerra, provando a falência e a hipocrisia de todos os valores estabelecidos, inclusive contra a indústria da arte. Recorria a táticas escandalosas, atacando violentamente as tradições estabelecidas no campo da arte, da filosofia e da literatura. A utilização de objetos manufaturados que eram apresentados como readymades artísticos afirmava que sua seleção jamais era ditada pelo gosto, mas com bases em uma indiferença visual, deslocando objetos do seu contexto e apresentá-los como arte alterando as convenções visuais. Destaques: Hannah Höch(1889-1979), Jean Hans Arp(1887-1966), Marcel Duchamp(1887-1968), Man Ray(1890-1977) e Tristan Tzara(1896-1963);

Purismo – Característica: celebrar a geometria e simplicidade com contornos bem definidas, em profundidade, e de perfil, pintado com cores lisas e rebaixado. Destaques: Amedée Ozenfant(1886-1966) e Charles-Edouard Jeanneret mais conhecido por Le Corbusier(1887-1965);

De Stijl – Característica: busca de um novo vocabulário visual abstrato aplicado em objetos práticos através de uma aliança entre arquitetos, designers e artistas. O uso de linhas horizontais e verticais, de ângulos retos e de áreas retangulares com cores rebaixadas e primárias. Destaques: Piet Mondrian(1872-1844), Robert van’t Hoff(1887-1979) e Jan Wils(1891-1972);

1918 – 1945: uma nova ordem mundial

Arbeitsrat für Kunst – Característica: implantação de uma arquitetura utópica, com utilização do vidro e do aço, onde as formas quase chegavam a evocar a ficção científica e um sentimento de intensidade espiritual. Destaques: Bruno Taut(1880-1938) e Adolf Behne(1885-1948);

Grupo de Novembro – Novembergrouppe – Característica: radical quanto à rejeição de formas anteriores de expressão e radical quanto ao uso de novas técnicas expressivas, de forma a reorganizar as artes, aspirava à união de todos os artistas alemães e de fato reuniu, expressionistas, cubistas e futuristas, sendo um grupo artístico com propostas também políticas. Destaques: Heinrich Campendonk(1889-1957), Otto Freundlich(1878-1943) e César Klein(1876-1954);

Bauhaus – “casa para construir, crescer e nutrir” - Característica: escola cooperativa entre a Academia de Belas Artes Weimar e a Escola de Artes e Ofícios, visava à capacitação dos alunos na teoria e prática, oferecendo-lhes as condições e preparos necessários para criarem produtos artísticos e ao mesmo tempo comerciais. Destaques: Wassily Kandinsky(), Paul Klee(), Johannes Itten(1888-1967), Georg Muche(1895-1987), Herbert Bayer(1900-1985), Walter Gropius(1883-1969), Marcel Breuer(1902-1981), Hannes Meyer(1889-1954), Ludwig Mies van der Rohe(1886-1969) e László Moholy-Nagy(1895-1946);

Precisionismo – Característica: somava influências locais como a Ashcan School e do cubismo, futurismo e purismo - foi uma espécie de cubismo provinciano ou realista, onde os temas eram, sobretudo, a paisagem urbana e industrial dos Estados Unidos. Destaques: Charles Demuth(1883-1935), Charles Sheeler(1883-1965), Louis Lozawick(1892-1973), Georgia O`Keefe(1887-1986), Morton Schamberg(1881-1918), Ralston Crawford(1906-1978) e Alfred Stieglitz(1864-1946);

Art Déco – Característica: sua estrutura identificava o uso da composição cubista integrada a tendências futuristas. Tendia a associar formas com padrões de traços da Malásia, Vietnã e Egito. Era meramente decorativa seu estilo elegante, funcional, moderno e exótico. Edifícios, esculturas, jóias, luminárias e móveis são geométricos. Sem abrir mão do requinte, os objetos têm decoração moderna, mesmo quando feitos com bases simples, como concreto (betão) armado e compensado de madeira, ganham ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim e outros materiais nobres. Diferentemente da Art Nouveau, mais rebuscada, a Arte Déco tem mais simplicidade de estilo. Destaques: René Lalique(1860-1945), Maurice Ascalon(1939–1950), Paul Poiret(1879-1944), Paul Iribe(1883-1935), Georges Lepape(1887-1971) e George Barbier(1881-1932);

Escola de Paris – École de Paris - Característica: havia um intercâmbio de idéias entre os artistas e um pluralismo de estilos, onde artistas que não se encaixavam em qualquer outra categoria, foram divididos em dois distintos grupos de artistas: um grupo de iluminadores medievais e um grupo de artistas não-franceses que trabalhavam em Paris antes da Primeira Guerra Mundial. Destaques: Amedeo Modigliani(1884-1920), Chaim Soutine(1894-1943), Jules Pascin(1885-1930), Maurice Utrillo(1885-1955) e Marc Chagall(1887-1985);

Estilo Internacional – Característica: também designado modernismo internacional, predominou na arquitetura ocidental, com suas formas retilíneas e simples, tetos planos, espaços internos abertos, ausência de ornamentação e novos materiais e tecnologias. Destaques: Walter Gropius(1883-1969), Le Corbusier(1887-1965), Adolf Loos(1870-1933), Alvar Aalto(1898-1976), Oscar Niemeyer(n.1907) e Lucio Costa(1902-1998);

Novecento Italiano – Característica: sugere uma dupla associação ao século XX e aos grandes períodos clássicos da arte italiana. Pretende-se revitalizar a arte italiana com base em uma volta a sua fonte mais pura, o classicismo, inaugurando uma nova fase de ouro na história dessa arte. Evoca um retorno aos códigos realistas de representação (a recuperação de uma noção de arte como tradução idealizada ou não do real), a reabilitação da tradição, o gosto pela obra bem-acabada e a revalorização do trabalho especializado do artista, a preservação da autonomia da obra de arte e a retomada dos valores culturais nacionais. Destaques: Anselmo Bucci (1887 - 1955), Leornado Dudreville (1885 - 1975), Achille Funi (1890 - 1972), Gian Emilio Malerba (1880 - 1926), Pietro Marussig (1879 - 1937), Ubaldo Oppi (1889 - 1942) e Mario Sironi (1885 – 1961);

Der Ring – Característica: envolvia todas as técnicas da arquitetura preparada para a nova era científica envolvendo conceitos sobre habitação e planejamento, com modelos de habitações com embasamento social utilização máxima possível da luz natural e integração de espaços verdes e abertos. Destaques: Bruno Taut(1880-1938), Otto Bartning(1883-1959), Hugo Häring(1882-1958) e Erich Mendelsohn(1887-1953);

Nova Objetividade – Característica: uma crítica ao cotidiano, ao banal e, acima de tudo, a situação política da Alemanha. Os artistas queriam apresentar uma imagem crua da sociedade no pós-guerra. Caricaturas brutais permitiam uma ênfase nas realidades de uma sociedade decadente e em processo de falência. Destaques: Otto Dix(1891-1969), George Grosz(1893-1959) e Max Beckman(1884-1950);

Surrealismo – Característica: representação do irracional e do subconsciente. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle. As formas são abstratas ou figurativas simbólicas. Destaques: André Breton(1896-1966), Antonin Artaud(1896-1948), Joan Miro(1893-1983), Yves Tanguy(1900-1955), Salvador Dali(1904-1989), Luis Buñuel(1900-1983) e Alberto Giacometti(1901-1966);

Elementarismo – Característica: amplia as suas possibilidades para além das composições abstratas, com base em ângulos retos, e no uso das cores primárias, complementadas pelo branco, o negro e o cinza. Sua essência está ligada à arquitetura, ao mobiliário, às artes decorativas e tipográficas, pela idéia central de criar um novo tipo de relação entre o artista e a sociedade. Destaques: Theo van Doesburg (1883-1931), Piet Mondrian (1872-1944) e Barth van der Leck (1876-1958);

Gruppo 7 – Característica: no sentido de promover uma arquitetura racionalista moderna em substituição da arquitetura neo-clássica. Destaques: Luigi Figini(1903-1984), Guido Frette(n.1901), Sebastiano Larco(n.1901), Gino Pollini(1903-1991), Carlo Enrico Rava(1903-1985), Giuseppe Terragni(1904-1941) e Adalberto Libera(1903-1963);

M.I.A.R. – Característica: recuperar a identidade nacional, mas, diferentemente da ideologia fascista, os arquitetos não pretendiam um retorno ao clássico, mas um resgate de seu espírito. Destaques: Luciano Baldessari(1896-1982), Giuseppe Pagano(1896-1945) e Mario Ridolfi(1904-1984);

Arte Concreta – Característica: uma arte universal onde a obra de arte deve ser inteiramente concebida e formada pelo espírito antes de sua execução, inteiramente construída com elementos puramente plásticos, isto é, planos e cores onde a pintura não tem outra significação que ela mesma, com uso de elementos simples e controlável visualmente, técnica mecânica, exata, buscando um esforço pela clareza absoluta. Portanto, a arte concreta tenta abandonar qualquer aspecto nacional ou regional e se afasta inteiramente da representação da natureza. E, negando as correntes artísticas subjetivistas e líricas, recusa o sensualismo e a arte como expressão de sentimentos. Surge também por oposição à arte abstrata. Na arte concreta a linha, ponto, cor e plano não figuram nada e são o que há de mais concreto numa pintura. Destaques: Naum Gabo(1890-1977), Anton Pevsner(1886-1962), Jean Gorin(1899-1981), Alberto Magnelli(1888-1971), Victor Pasmore(1908-1998), Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Pape (1927-2004), Lygia Clark (1920-1988), Amilcar de Castro (1920-2002) e Franz Weissmann (1911-2005);

Realismo Mágico – Característica: representação meticulosa e quase fotográfica de cenas que parecem realistas, revestidas de mistério e magia, por uso de perspectivas diversas e justaposições inusitadas. Pintura dentro da pintura e justaposições incongruentes. Destaques: René Mangritte(1898-1967), Paul Delvaux(1897-1994) e Ivan Albright(1897-1983);

Cena Americana – Característica: glorificam os valores americanos tradicionais contra a arte abstrata. Destaques: Edward Hopper(1882-1967), Norman Rockwell(1894-1978), John Steuart Curry(1897-1946), Grant Wood(1892-1942) e Thomas Hart Benton(1889-1975);

Realismo Social e Socialista – Característica: Na Russia na área cultural, o realismo socialista converte-se, entre 1930 e 1950, em arte oficial, o qual referenda a linha ideológica do realismo-social-soviético, estilo que é "realista na forma" e "socialista no conteúdo", isto é, a obra de arte deve ser acessível ao povo - figurativa e descritiva - e sua mensagem, um instrumento de propaganda do regime. Desenhos, telas e cartazes publicitários mostram proletários, camponeses, soldados, líderes e heróis nacionais, freqüentemente idealizados, seja pela exaltação de corpos vigorosos. Nos Estados Unidos, geralmente, representavam os temas como um realismo urbano e providos de cenas com contrastes sociais do cotidiano urbano americano. Na França, vincula-se, também, a uma tradição mais claramente naturalista, que pensa a arte como documentação da realidade. Um realismo de feitio mais claramente "social”, voltado, para o universo rural e para a vida rústica, a representação de trabalhadores e camponeses. No Brasil, ainda que não se possa falar numa arte realista socialista, é possível lembrar artistas e obras que mais claramente abraçaram os ideais socialistas, na forma e conteúdo. Destaques: Isabel Bishop(1902-1988), Bem Shahn(1898-1969), Reginald Marsh(1898-1954), Gustave Courbet(1819-1877), Jean-François Millet(1814-1875), Honoré Daumier(1808-1879), Carlos Scliar(1920-2001), Mário Gruber(n.1927), Abelardo da Hora(n.1924), Candido Portinari(1903-1962), Renina Katz(n.1926) e Virginia Artigas(1915-1990);

Neo-Romantismo – Característica: é dividido em dois grupos de pintores os de Paris e os da Inglaterra. Caracteriza-se pelo uso de imagens fantásticas que mostram paisagens desoladas, povoadas por figuras tristes, trágicas ou horripilantes em um cenário misterioso, nostálgico e visionário. O conteúdo era simbólico, emocional e repleto de elementos humanizados, podendo ser pela utilização de objetos criados pelo homem ou presentes em uma paisagem. Destaques: René Mangritte((1898-1967), Christian Bérard(1902-1949), Paul Nash(1889-1946) e Henry Moore(1898-1986) ;

1945 – 1965: desconstruindo e construindo

Arte Bruta – Art Brüt - Característica: arte praticada por pessoas alheias à cultura artística, onde o autor tira proveito de tudo (temas, escolha de materiais, meios de transposição, ritmo, modos de escrita etc.) e de sua própria natureza, a partir de seus próprios impulsos, em que as obras têm base na exploração dos territórios da subjetividade e da imaginação criadora, por pessoas à margem da tradição e do sistema artístico. Visa valorizar a manifestação expressiva bruta, espontânea e imediata de autodidatas. Destaques: Jean Dubuffet (1901 - 1985), Madge Gill(1884-1961), Jean Fautrier(1898-1964), Alberto Burri(1915-1995) e Antoni Tàpies(n.1923);

Arte Existencial – Característica: a consciência da solidão, do vazio, do absurdo da existência e da aceitação da condição transitória. Muitos outros aspectos foram a teatralidade, a violência e a atmosfera claustrofóbica. Destaques: Francis Bacon(1909-1992), Germaine Richier(1904-1959) e Jean Fautrier(1898-1964);

Arte Marginal – Característica: arte realizada por não artistas, contudo, apresenta sinceridade e perseverança em sua composição desinteressada com o intuito único do fazer. Destaques: Nek Chand(n.1924) e Le Facteur Cheval(1836-1924);

Abstração Orgânica – Característica: formas abstratas arredondadas, baseadas naquelas que se encontram na natureza. Também conhecida por abstração biomórfica. Os maiores destaques estão na escultura, design e mobiliário. Destaques: Isamu Noguchi(1904-1988), Henry Moore(1898-1986), Alexander Calder(1898-1976) e Arne Jacobsen(1902-1971);

Arte Informal – Característica: pintura abstrata gestural. Destaques: Michel Tapié(1909-1987), Hans Hartung(1904-1989) e Wolfgang Schulze(1913-1951);

Expressionismo Abstrato – Característica: a tinta é gotejada e/ou atirada ao ritmo do gesto do artista, que gira sobre o quadro ou se posta sobre ele. A nova atitude, física inclusive, do artista diante da obra subverte a imagem do pintor contemplativo e mesmo a do técnico ou desenhista industrial que realiza o trabalho de acordo com um projeto prévio. Descartada também está a noção de composição, ancorada na identificação de pontos focais na tela e de partes relacionadas. A obra de arte, fruto de uma relação corporal do artista com a pintura, nasce da liberdade de improvisação, do gesto espontâneo, da expressão de uma personalidade individual Destaques: Jackson Pollock(1912-1956), Mark Rothko(1903-1970), Adolph Gottlieb(1903-1974), Willem de Kooning(1904-1997), Ad Reinhardt(1913-1967), e Isamu Noguchi(1904-1988);

CoBrA – Característica: defende a livre expressão e o gesto espontâneo associados à retomada dos imaginários, mágico e folclórico, e transparecem na explosão de cores, no vaivém de linhas que definem contornos e imagens, nos quais o observador se detém numa espécie de jogo lúdico. Bichos e figuras que parecem retirados de um caderno de desenhos infantil. Destaques: Christian Dotremont(1922-1979), Asger Oluf Jorn(1914-1973), Joseph Noiret(n.1927), Karel Appel(n.1921), Constant(n.1920) e Corneille Guillaume Beverloo(n.1922);

Arte Beat – Característica: a performance passa a ser um elemento fundamental, inexistindo fronteira entre a arte e a vida, para que a arte fosse uma experiência vivida em todos os locais de encontros sociais, não apenas em museus. Havia um desprezo pela cultura conformista e materialista, assim mesmo a recusa em ignorar o lado sombrio da vida americana – violência, corrupção, censura, tabus, racismo e hipocrisia. Destaques: Jay DeFeo(1929-1989), Wallace Berman(1926-1976), Jess Collins(n.1923), Robert Frank(n.1924), Claes Oldenburg(n.1929) e Larry Rivers(1923-2002);

Arte Cinética – Característica: a arte que se move ou parece se mover. Incorpora o movimento do real com elementos móveis ou apóia-se no movimento do observador para obter uma ilusão do mesmo, podendo, também, transformar o espaço ao redor do espectador com o uso do reflexo da luz. Destaques: László Moholy-Nagy(1895-1946), Alexander Calder(1898-1976), Abraham Palatnik(n.1928), George Rickey(1907-2002), Jean Tinguely(1925-1991), Karl Gerstner(n.1930), Almir Mavignier(n.1925), Jeffrey Steele(n.1931), Gehrard von Graevenitz(n.1934), Larry Pons(n.1937), Soto(1923-2005), Le Parc(n.1928), Sérgio de Camargo(1930-1990), Lygia Clark(1920-1988) e Servulo Esmeraldo(n.1929);

Kitchen Sink School – Característica: obra figurativa e realista, retratava cenas enfadonhas, que não tinham nada de heróico e sim o cotidiano dos lares – cozinhas bagunçadas, quintais e prédios. Destaques: John Bratby(1928-1992), Derrick Graves(n.1927) e Jack Smith(n.1928);

Neodadá – Característica: retorno ao movimento dada, sobretudo no que diz respeito ao uso de objetos ou temas derivados da vida cotidiana. Constitui a partir de composições com combinações inusitadas de elementos comuns. Contudo, ainda que haja a produção de um conjunto os objetos, não perdem o seu primeiro sentido. Destaques: Larry Rivers(1923-2002) e Jasper Johns(n.1930);

Combines – Característica: obras tanto com aspecto de pintura como com o aspecto de escultura. Destaque: Robert Rauschenberg(n.1925);

Arte Funk – Característica: uso de materiais nada comuns, reinstaurando uma nova dimensão ao realismo. Os temas eram sempre questões polêmicas – pena de morte, aborto, violência, doença, envelhecimento e morte. Destaques: Bruce Conner(n.1933), George Herms(n.1935) e Ed Kienholz(1927-1994);

Novo Realismo – Característica: as obras deste período são interessantes por sua relação muito direta e provocativa com questões sociais contemporâneas, podendo ser encaradas como críticas radicais à cultura de massa e ao desperdício. Objetivava a mudança radical em relação às correntes artísticas vigentes. Os artistas de estilos diversos utilizavam meios diversos e de caráter exato, buscando o inédito para suas obras. Trata-se de religar a esfera da arte ao mundo, baseando-se na introdução dos elementos do real nos trabalhos de arte, onde a ação não se dá mediante sua transcrição conceitual ou representação pictórica, mas antes, por meio da apropriação direta de seus fragmentos, investindo-os de um potencial expressivo em si mesmos e trabalhando-os como signos de uma nova linguagem. Destaques: Yves Klein(1928-1962), Arman(n.1928), Raymond Hains(n.1926), Jean Tinguely(1925-1991), César(1921-1998), Gérard Deschamps(n.1937), Mimmo Rotella(n.1918), Niki de Saint-Phalle(1930-2002) e Christo(n.1935);

Assemblage – Característica: surgiu como por acidente do acaso o estilo foi criado para classificar um tipo colagem em três dimensões que se expandiram por meio de instalações e performances. Não se podia classificar as obras como pintura ou escultura, pois, mais do que pintadas, desenhadas, modeladas ou esculpidas, elas eram predominantemente reunidas. Em parte ou em seu todo, os elementos das obras são materiais, objetos ou fragmentos naturais pré-formados ou manufaturados e, principalmente, por não serem vistos como materiais de arte. É, em base, uma estética da acumulação onde todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte. Destaques: Jim Dine(n.1935), Allan Kaprow(n.1927), Ed Kienholz(1927-1994), Claes Oldenburg(n.1929), Joseph Cornell(1903-1972) e Louise Nevelson(1899-1988);

Arte Pop – Característica: as temáticas abordadas eram: a vida cotidiana e seus objetos comuns. Incorporaram as histórias em quadrinhos, a publicidade e as imagens da televisão e cinema. O traço era simplificado e as cores saturadas. Eram signos e símbolos retirados do imaginário que cercam a cultura de massa e a vida cotidiana. A defesa do popular traduz uma atitude artística contrária ao hermetismo da arte pós-moderna erudita, sendo um dos movimentos que recusam a separação arte da vida e defendem que a arte é feita para todos. Destaques: Richard Hamilton(n.1922), Eduardo Luigi Paolozzi(1924-2005), Richard Smith(n.1931), Peter Blake(n.1932), Andy Warhol(1928-1987), Roy Lichtenstein(1923-1997), Claes Oldenburg(n.1929), James Rosenquist(n.1933) e Tom Wesselmann(1931-2004);

Arte Performática – Performance - Característica: combina elementos do teatro, das artes visuais e da música, contudo, não há participação do público. As performances articulam modalidades diferentes de arte – dança cinema, música, teatro, literatura - coloca em questão a própria definição da arte, e preocupa-se com as relações humanas com arte na tentativa de romper a barreira do artista, obra e espectador. Destaques: Georges Maciunas(1931-1978), Nam June Paik(n.1932), John Cage(1912-1992), Joseph Beuys(1921-1986), Gilbert Proesch, 1943, e George Passmore, 1942), Rudolf Schwarzkogler(1941-1969), Günther Brüs(n.1938), Herman Nitsch(n.1938), Bruce Nauman(n.1941), Schwarzkogler e Vito Acconci(n.1940), Flávio de Carvalho(1899-1973), Wesley Duke Lee(n.1931), Nelson Leirner (n.1932), Carlos Fajardo(n.1941), José Resende(n.1945) e Frederico Nasser(n.1945);

Fluxus – Característica: uma forma de atitude diante do mundo, do fazer artístico e da cultura que se manifesta nas mais diversas formas de arte; contudo, não há ênfase no artista criador, onde o não saber quem executou a obra é parte da obra. A obra pode sofrer intervenções de qualquer um, onde o espectador participa da obra em colaboração na forma e na expressão. Destaques: Ben Vautier(n.1935), Robert Watts(1923-1988), George Brecht(n.1926), Yoko Ono(n.1933), Shigeko Kubota(n.1937), Per Kirkeby (n.1938), Wolf Vostell(1932-1998) e Joseph Beuys(1912-1986);

Arte Op – Arte Ótica, Op Art ou Optical Art - Característica: os artistas realizam pesquisas sobre efeitos óticos objetivando um método de interagir com a ilusão derivada pela luz na percepção e visão do espectador. Sugere um diálogo direto com a indústria e a mídia, enfatizando a sugestão do movimento do olhar sobre o objeto da arte. Nas composições, em geral, abstratas, linhas e formas seriadas se organizam em termos de padrões dinâmicos, que parecem vibrar, tremer e pulsar. O olhar, convocado a transitar entre a figura e o fundo, a passear pelos efeitos de sombra e luz produzidos pelos jogos entre o preto e o branco ou pelos contrastes tonais, é fisgado pelas artimanhas visuais e ilusionismos. Destaques: Victor de Vasarely(n.1908), Bridget Riley(n.1931), Carlos Cruz-Diez(n.1923), Jesús-Raphael Soto(n.1923), Lothar Charoux(1912-1987), Almir Mavignier(n.1925), Ivan Serpa(1923-1973) e Abraham Palatnik(n.1928);

1965 – Hoje: além do pós-modernismo

Minimalismo – Minimal Art - Característica: formas elementares de corte geométrico, simples sem ilusões ou metáforas. O objeto fica em um terreno paralelo entre a pintura e a escultura. A obra é desprovida de efeitos decorativos ou emotivos. São idéias simples e neutras. Materiais como vidro, aço e acrílico, são os mais utilizados para estas obras. Destaques: Donald Judd(1928-1994), Dan Flavin(1933-1996), Carl André(n.1935), Carlos Fajardo(n.1941) e Ana Maria Tavares(n.1958);

Arte Conceitual – Característica: renuncia completamente ao objeto físico, usando mensagens verbais ou escritas para transmitir idéias, ou seja, a idéia ou conceitos constituem a verdadeira obra. Destaques: Piero Manzoni(1933-1963), John Baldessari(n.1931), Robert Barry(n.1936), Joseph Beuys(1921-1986), Hans Haacke(n.1936), Gerhard Richter(n.1932), Shusaku Arakawa(n.1936), Marcel Broodthaers(1924-1976), Jan Dibbets(n.1941) e Cildo Meireles(n.1948);

Body Art – Característica: o corpo é o suporte, o meio de expressão, a matéria para a realização dos trabalhos. Através do corpo realizam-se intervenções, de modo geral, associadas à violência, à dor e ao esforço físico, o sangue, o suor, o esperma, a saliva. A materialidade do corpo se apresenta como suporte para cenas e gestos que tomam, por vezes, a forma de rituais e sacrifícios. Tatuagens, ferimentos, atos repetidos, deformações, escarificações, travestimentos etc são realizados, ora em local privado, com registros em filmes ou fotografias, ou, em público, o que indica o caráter freqüentemente teatral da arte do corpo. Destaques: Arnulf Rainer(n.1929), Hermann Nitsch(n.1938), Günter Brus(n.1938), Rudolf Schwarzkogler(1940-1969), Rebecca Horn(n.1944) e Gina Pane(1939-1990);

Instalação – Característica: um ambiente ou cena, cujo movimento está dado pela relação entre objetos, construções, o ponto de vista e o corpo do observador. Para a apreensão da obra é preciso percorrê-la, passar entre suas dobras e aberturas ou, simplesmente, caminhar pelas veredas e trilhas que ela constrói por meio da disposição das peças, cores e objetos. Destaques: Kurt Schwitters(1887-1948), Marcel Duchamp(1887-1968), Dan Flavin(1933-1996), Robert Smithson(1938-1973), George Segal(1924-2000), Mario Merz(1925), Hélio Oiticica(1937-1980), José Resende(n.1945), Tunga(n.1952) e Mira Schendel(1919-1988);

Hiper-realismo – Característica: as pinturas parecem fotografias, em que o artista trabalha, tendo como primeiro registro, os movimentos congelados pela câmera, num instante preciso. Se o modelo vivo - pessoa ou cena - sofre permanentemente as interferências do ambiente está, portanto, sempre em movimento. A também utilização de técnicas e equipamentos que permitem obter um resultado final similar à fotografia - o aerógrafo - nunca toca a tela e, portanto, não deixa impressas as marcas do gesto e do pincel; permite o controle da quantidade de tinta a ser empregada e sua distribuição regular, em que cada área do quadro é pintada do mesmo modo. A pintura obtida, nesse caso, é lisa, sem texturas nem empastes. Destaques: Richard Estes(n.1936), Malcolm Morley(n.1931), Chuck Close(n.1940), Audrey Flack(n.1931), John Salt(n.1937), Duane Hanson(1925-1996), Ron Mueck(n.1958) e Rigoberto Torres(n.1960);

Suport-Surface - O modo de exposição da obra - sobre o solo apoiada numa parede - contra a forma tradicional de exibição das telas. Trata-se de rever a idéia de quadro - grande emblema da arte ocidental - através do desnudamento de sua materialidade. O quadro realiza-se, assim, pela mera combinação de um suporte e de uma superfície. Destaques: Claude Viallat(n.1936), Louis Cane(n.1943), Antonio Dias(n.1944), Cildo Meireles(n.1948) e Waltercio Caldas(n.1946);

Videoarte – Característica: o vídeo e a televisão passam a ser ferramentas do artista na construção de sua obra, e são freqüentemente, associados a outras mídias e linguagens, buscando trazer novos elementos para o debate sobre o fazer artístico. As imagens projetadas são planejadas para ampliar as possibilidades de pensar a representação, parte da idéia de espaço como campo perceptivo, onde o campo de visão do espectador é alargado, transitando das imagens em movimento do vídeo ao espaço envolvente da galeria. As cenas, sons e cores produzem, de modo geral, uma expansão, conferindo ao espaço um sentido de atividade e almejando multiplicar as possibilidades do trabalho artístico com o tempo e espaço. Destaques: Bill Viola(n.1951), Naim June Paik(n.1942) e Tony Oursler(n.1957);

Earth Art – Earth Work ou Land Art - Característica: uma nova relação entre o ambiente natural ou ambiente urbano criado pelo homem e o trabalho artístico, em que o ambiente sofre intervenções pelo gesto do artista, transformando o entorno com obras de grandes dimensões, as quais são registradas por filmes ou fotografias. O foco das obras é o fruto da experiência que se manifesta no espectador. Destaques: Robert Morris(n.1931), Walter Maria(n.1935) e Christo(n.1935);

Neo-expressionismo – Característica: telas de grandes formatos, materiais diversos, como palha, chumbo, pasta de pigmentos, pratos quebrados e cacos de cerâmica. Pode conter um formato abstrato ou figurativo. O tratamento dos materiais tende a ser tátil, sensual ou tosco e as emoções são expressas com vibração. Destaques: Anish Kapoor(n.1954), Anselm Kiefer(n.1945) e Gerhard Richter(n.1932), Daniel Senise(n.1955), Jorge Guinle(1947-1987) e Leonilson(1957-1993);

Sound Art – Característica: utilização dos sons na obra de forma a explorar seu fenômeno acústico, psico-acústico, tecnológico, eletrônico, o meio ambiente, as vias urbanas, o corpo humano, filmes etc, sujeitando o espectador a um debate sobre a relação sonora no universo contemporâneo. Atua sobre a percepção do espectador e o ambiente a sua volta, sugerindo memórias que interpõem barreiras. Destaques:Lee Ranaldo(n.1956), Brian Eno(n.1948) e Katarina Matiasek(n.1965);

Web Art – Característica: é uma mistura de arte visual e de ciência da computação. Utiliza-se da ferramenta da internet e da computação gráfica para reproduzir, multiplicar e sincronizar. O advento da utilização da web para tornar a arte infinitamente reproduzível e acessível a todos, desterritorializando a arte em tempo e espaço, onde o artista pode concluir sua obra e, imediatamente, ser visto e copiado por milhões de pessoas no planeta. Uma pirataria permissiva e ideológica que procura desmistificar os códigos de valor, cultural e a autenticidade.